quinta-feira, 27 de julho de 2017

Cores do Tempo

     Minh Ngo Thanh Vietnam

“Um borrão. Um claro. Claro obscuro. Ora um. Ora outro.” Samuel Beckett


De todas as cores, de todos os sons, nem espaço existe para se deixar de pensar. Todos os números dão a exatidão, exatamente no plano abstrato onde o real aparece na representação. A única certeza está no código: a precisão infinitesimal percorre o tempo sem trégua para o olho do observador. Aí pensei, e se eu pudesse discorrer até o fim do mundo? Pensei que o tempo pudesse dar uma trégua aos corações libertários, que os deixassem parar um pouco no instante infinito do prazer, que a realidade pudesse ser a mesma da eternidade da metamorfose [...] Viral, correr dos sons possa se transformar em signos do escape total do Real. A maneira de percorrer o outro lado da vida é não deixar de viver, eu sei. Armei mais um truque para me manter aceso ao próximo século como uma lanterna à deriva no mar. Se tornar-me imortal − juro, darei um jeito nisso, voltarei a comer glúten. Promessa de leitor!!!

quarta-feira, 5 de julho de 2017

Língua Absolvida

             Hans Dieter (German, 1881 -1968)





“Foram o pão e o sal de meus primeiros anos. São eles a verdadeira e secreta vida de meu intelecto.”
Elias Canetti (do livro A língua absolvida)

Na língua, a ginga, a sonora, a fala solta,
O verbo desprezado, o vento a zumbir.
O verbo engolidor, a voz que te falta,
O tempo é testemunho da imperfeição.

Na altitude o desejo superior, a brancura é farsa,
O sujeito entra numa espécie de devir étnico,
Desconhece o resto do corpo, o domínio é forte.
A morte o desfaz em segundos, não perde a pose dos dentes brancos.

Falta movimento na política, o corpo é preso.
Saída escusa povoa a cartografia de um país,
Podridão é mero passaporte para o inferno.
Dissolvida, a língua muda de lugar, a interioridade,
Espaço mediatizado entre a fuga e o morrer na alvura.