quarta-feira, 5 de julho de 2017

Língua Absolvida

             Hans Dieter (German, 1881 -1968)





“Foram o pão e o sal de meus primeiros anos. São eles a verdadeira e secreta vida de meu intelecto.”
Elias Canetti (do livro A língua absolvida)

Na língua, a ginga, a sonora, a fala solta,
O verbo desprezado, o vento a zumbir.
O verbo engolidor, a voz que te falta,
O tempo é testemunho da imperfeição.

Na altitude o desejo superior, a brancura é farsa,
O sujeito entra numa espécie de devir étnico,
Desconhece o resto do corpo, o domínio é forte.
A morte o desfaz em segundos, não perde a pose dos dentes brancos.

Falta movimento na política, o corpo é preso.
Saída escusa povoa a cartografia de um país,
Podridão é mero passaporte para o inferno.
Dissolvida, a língua muda de lugar, a interioridade,
Espaço mediatizado entre a fuga e o morrer na alvura.