domingo, 2 de agosto de 2015

Um francês, um inglês, um alemão e um camelo



"O francês foi ao Jardim Botânico, lá ficou uma meia hora, interrogou o guarda, jogou pão ao camelo, atiçou-o com a ponta de seu guarda-chuva e, voltando para casa, escreveu para seu jornal um folhetim cheio de observações picantes e espirituosas.
O inglês, levando suas previsões e um confortável material de acampamento, instalou sua tenda nos países do Oriente e trouxe, depois de uma estada de dois ou três anos, um grosso volume repleto de fatos, sem ordem nem conclusão, mas de um real valor documental.

Quanto ao alemão, cheio de desprezo pela frivolidade do francês e pela falta de ideias gerais do inglês, trancou-se no seu quarto para redigir uma obra em vários volumes, intitulada: A Ideia de Camelo Deduzida da Concepção do Eu."(Le Pèlerin, 1 de setembro de 1929, p.13)
           Epígrafe do livro "O pensamento 68: ensaio sobre o anti-humanismo contemporâneo" de Luc Ferry e Alain Renaut, Editora Ensaio, 1988.

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