sábado, 29 de dezembro de 2007

O Homem Nômade e a disjunção das imagens




"O cinema mostra-nos um mundo que cabe em nossos desejos." André Bazin


Lembro de dois diálogos do cinema, um do filme que tem a narração no fundo do Paul Bowles, “O céu que nos protege” de Bernardo Bertolucci, e o outro é da Camille (Brigitte Bardot), Jack Palance e Fritz Lang (como diretor da A Odisséia) e ator. Os três pensam o cinema com Godard e atuam no “O Desprezo”, dirigido por Godard.

O primeiro, no final do filme, a voz de Bowles, sentado na parte mais escura e silenciosa do café do hotel.
Interpela a kit (Débora Winger).

Narrador: Você está perdida?
Sim (Kit)
Narrador: As coisas acontecem um número de vezes. Um pequeno número, na verdade. Por quantas vezes você se lembrou de uma tarde de sua infância, uma tarde tão comum, mas que você não poderia viver sem ela? Talvez umas quatro ou cinco vezes. Talvez nem isso. Quantas vezes você irá admirar a lua? Talvez vinte. E ainda assim parece sem limites.



Se se está perdido é porque a idéia de viajar era partir o tempo real das coisas, do retorno ao vazio e desde já se estava no deserto sentindo a sensação mais absoluta dos sentimentos, da solidão que é salva pela música e pela imagem.

O outro momento, no filme do Godard, a voz do narrador:


Na esperança de racionalizar, sentimentos ficaram turvos e obscuros.
Camille: Parece que está me observando para decidir que atitude apropriada irá tomar
(diz ela ao marido, roteirista, que tinha sido contratado para trabalhar na filmagem de A Odisséia).

O cinema é esse mundo em que os desejos todos estão postos. Prontos para se perderem nas imagens e nas músicas.

sábado, 8 de dezembro de 2007

O Homem Nômade: Esqueça as narrativas de iludir razões.







Foto de Jean Baudrillard -"Amsterdam"


A ebulição que anima o globo é que é também a ebulição do sujeito (pensa Bataille), mas o sujeito em ebulição propriamente dito em total consumo de si. Esse é o passo para o pensamento radical.
O pensamento crítico, aqui seria o da acumulação, que busca através do objeto, em pesquisa, o seu valor de “uma operação fria e calculada”.
Assim, como em “1919”, Sakamoto contorna esse frio com a atonalidade melódica que vai ao seu excesso até os acordes de um pensar radical na música. O mesmo ocorre na escritura de Bataille e muitos anos antes já parecia estar na parte do liberar de energias no instante eterno das palavras.
Assim como a economia se expressa pelo acumulo, mas para Bataille, ela é apenas uma soma calculada e fria que terá seu valor no instante.
O instante da comunicação deixa de ser eterno para ser a energia vinda da informação e para melhor fechar a cadeia do conhecimento ela se perde no fragmento da narrativa partida.
O que temos é o instante das coisas, a ilusão da informação e a ilusão de acumular conhecimentos. O falar por falar se expressa nessa economia sem os acordes atonais. De onde vem isso tudo?

sábado, 1 de dezembro de 2007

Nascimento do poeta
























Imagem: Sophie Calle


A mãe vem com a lanterna entre as pernas,
Depois virá o pai
Pensando que a obra é sua.
(2007)